EDUCAÇÃO EMOCIONAL PARA A PREVENÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO

Leia neste post sobre a importância da Educação Emocional para a causa e a prevenção de acidentes de trabalho

Professor Rodrigo Ramalho

6/23/20235 min read

Olá, aqui é o Professor Rodrigo Ramalho e neste post venho trazer mais informações sobre a Educação Emocional na causa e prevenção de acidentes de trabalho. A Segurança e saúde do trabalho é um campo do conhecimento que envolve a prevenção de lesões e doenças ocupacionais, bem como a promoção de ambientes de trabalho seguros e saudáveis. O fator emocional dos colaboradores desempenha um papel importante nesse contexto, pois este elemento tem responsabilidade na causa e prevenção de acidentes de trabalho.

Educação Emocional para a prevenção de acidentes de trabalho

Agora que estamos falando especificamente das causas humanas dos acidentes, destacamos os problemas de ordem mental que possuem diversos aspectos. Aqui focaremos exclusivamente o fator emocional porque ainda assim podemos encontrar fenômenos de ordem psiquiátrica, e essa é uma abordagem muito restrita da medicina com a especialidade da psiquiatria. Quando focamos o fator emocional do indivíduo incluímos aí uma série de elementos que vão desde a depressão, síndrome amotivacional até o stress crônico. São problemas que cresceram muito no século XXI e afetam a população em geral. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2019, quase um bilhão de pessoas – incluindo 14% dos adolescentes do mundo – apresentaram um transtorno mental. O suicídio foi responsável por mais de uma em cada 100 mortes e 58% dos suicídios ocorreram com pessoas com menos 50 anos de idade.

Nos últimos anos, as doenças mentais tiveram um aumento considerável. Segundo a OMS o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo. A ansiedade afeta 18,6 milhões de brasileiros. Os transtornos mentais são responsáveis por mais de um terço do número total de incapacidades nas Américas.

Bom, existe uma vasta literatura que destaca problemas emocionais leves e graves na população, isso é fato. Mas até que ponto as emoções podem participar ou serem determinantes na ocorrência de acidentes? Isso depende da intensidade da emoção e da periculosidade das tarefas que o profissional exerce é claro!

O fator emocional atuando na prática para o acidente

Na execução de tarefas simples e complexas o indivíduo opera com o cérebro para o planejamento e execução da ação. E é lá onde tudo começa (no cérebro). Quando experimentamos emoções as áreas do nosso cérebro que estão ativadas, são incompatíveis com a execução racional da tarefa. Quando sentimos e expressamos algumas emoções negativas como medo e raiva, por exemplo, o sistema límbico está em plena atividade. Mas a região do cérebro que é responsável pelo planejamento e execução das tarefas são os lobos frontais, situados na macro região do cérebro pensante que chamamos de neocórtex.

A anatomia cerebral possui essas áreas mais especializadas para cada situação e isso interfere diretamente desde o início até o final da tarefa. Quando a nossa “mente emocional” entra em ação nossa percepção se torna falha assim como todos os outros fatores na tomada de decisão e execução. Esta é a neuroanatomia das emoções e sua incompatibilidade com a execução de tarefas que envolvem riscos, mas não para por aí. As emoções atuam no nível comportamental também. Isso quer dizer que as emoções influenciam "o agir das pessoas" gerando tendências para determinados comportamentos como agressividade, pressa, negligência, entre outros.

Quando um colaborador está passando por algum medo consciente ou inconsciente isto pode afetar o desempenho da segurança. Observe na figura à cima que o fator emocional pode gerar uma tendência de comportamento de risco para a tarefa causando o acidente. Um comportamento de risco pode ser patrocinado pelo medo ou a raiva por exemplo. Isso pode ocorrer quando o colaborador sente medo do tempo e executa a tarefa com pressa. Pode ainda se materializar quando sente raiva de algum colega de trabalho e executa a tarefa com agressividade. Em ambas as situações o fator emocional está presente no comportamento de risco que provoca um acidente.

Consciência Emocional para o trabalho seguro

Vimos que o fator emocional pode ser consciente ou inconsciente, a pessoa possui o medo do tempo com atrasos por causa de um compromisso real ou simplesmente porque internalizou esse comportamento operante em seu inconsciente. Independente do nível de consciência, nós não fomos educados para lidar com as emoções negativas de uma forma inteligente. E aí está a fonte de muitos acidentes porque não conseguimos ter um domínio sobre a influência que as emoções causam em nosso comportamento.

Para que possamos lidar com o impacto que as emoções causam no nosso comportamento é necessário um processo de reeducação que é proposto na Educação Emocional. A prender a lidar com as emoções faz com que os colaboradores estejam aptos a controlar as motivações negativas dissonantes com a segurança. Tudo começa com a consciência emocional que contribui muito para que o indivíduo possa identificar as emoções que está experimentando e em seguida, utilizar as estratégias de controle emocional mais avançadas.

Seguem agora três dicas importantes para promover consciência emocional no trabalho para a sua equipe:

  • Educação e treinamento: fornecer treinamentos e workshops que abordem a importância da consciência emocional e sua relação com a segurança no trabalho. Isso pode incluir informações sobre a influência das emoções na tomada de decisões, no gerenciamento de estresse e na percepção de riscos;

  • Autoconhecimento: incentivar os funcionários a refletirem sobre suas próprias emoções e como elas podem impactar seu desempenho e comportamento. Isso pode ser feito através de atividades como diários emocionais, questionários de autoavaliação ou discussões em grupo sobre as emoções no local de trabalho;

  • Comunicação aberta: criar um ambiente de trabalho seguro e encorajador, onde os funcionários se sintam à vontade para expressar suas emoções e preocupações. Estimular a comunicação aberta entre colegas de trabalho, supervisores e equipes, para que as emoções possam ser discutidas de forma construtiva e preventiva.

  • Liderança e exemplo: os líderes devem dar o exemplo ao demonstrar uma consciência emocional saudável. Eles podem compartilhar suas próprias experiências emocionais no trabalho e mostrar como lidam com as emoções de maneira construtiva, incentivando os funcionários a fazerem o mesmo.

Ao promover a consciência emocional, as empresas podem ajudar os funcionários a reconhecerem quando o fator emocional influencia o comportamento no ambiente de trabalho, reduzindo o risco de acidentes causados por tomada de decisões inadequadas, falta de atenção ou comportamento impulsivo.

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